Larguei a Coca-Cola e agora não acordo mais

January 8th, 2010

Faz pouco mais de 1 semana que larguei de vez o consumo da Coca-Cola em casa, e dessa vez tomei o cuidado de substituir por outras bebidas que também incluem cafeína, especialmente o chá preto. Mantive também o mesmo consumo de café de antes.

Mesmo assim, aconteceu o de sempre: eu, que não precisava de despertador e sempre acordava com qualquer barulhinho, agora durmo a manhã inteira, se não houver nenhuma intervenção impactante.

Como eu já dormia bem e em número de horas suficiente, vou torcer pra adaptação acontecer logo, senão vou ter de reativar o despertador, e aí vai ser de fato uma perda e uma pena.

Tempestade chegando

January 6th, 2010

Chuva de verão chegando agora a Jurerê após uma tarde abafada.

E a fonte?

December 23rd, 2009

A mãe chegou pro Natal, trazendo consigo alguns pacotes de biscoitos salgados da Delicatesse Viktoria, lá de Joinville, juntamente com meu velho PSOne (e vários CDs de jogos) que minha irmã provavelmente levará para Brasília no ano novo.

Ela também trouxe o seu notebook novo, mas por alguma razão dessas que quem não é sua própria mãe (eu sei, isso exclui a maior parte da humanidade) jamais entenderá, *optou* por deixar em Joinville a fonte de alimentação do dito-cujo, que chegou aqui já sem carga na bateria, também por razão similarmente misteriosa.

Com um pouco de movimentação frenética, alguns telefonemas e uma ida ao centro (vendo apenas de relance o Fiat Uno do Mal), consegui uma fonte compatível (20V, 2A), e ainda voltei a tempo pro churrasco de boas-vindas.

Ah, hoje também comprei, finalmente, o meu metrônomo digital. Ele também é afinador de guitarra e baixo, como é comum (aparentemente, exceto nos “de griffe”). Outro dia conto a vocês sobre ele, depois que eu testar, e finalmente deixar de lado o metro.sh, bastante preciso mas bem menos conveniente e portátil.

R. I. P. Maxtor DiamondMax

December 22nd, 2009

Hoje o HD do meu desktop se foi. Era um Maxtor de 500GB, e curiosamente foi comprado há exatos 12 meses, quando o seu antecessor também deixou de funcionar.

Mas, ao contrário do que ocorreu há um ano, dessa vez tivemos um longo adeus. Já há umas 2 ou 3 semanas eu percebi que ele estava fazendo ruídos indevidos ao funcionar, e logo em seguida algum daemon que fica falando com o SMART me avisou, em um belo popup, que “um ou mais discos rígidos” estavam prestes a falhar – e apontou o dedo bem pro disco certo.

Eu tenho tido alguma disciplina com os backups caseiros, mas com todo esse aviso prévio deu de fazer mais do que isso, e providenciar uma cópia completa do disco, em um HD externo, enquanto eu não comprasse um substituto à altura.

Mas ontem (segunda-feira) o HD velho resolveu abrir o bico de vez. Eu não estava usando o PC intensamente, então simplesmente pulei para o netbook para o que estava fazendo de mais sério, e deixei o desktop ligado para navegar e assistir twitter. Foi uma experiência interessante: tudo começou a perder desempenho de forma bastante visível, logo o sistema estava me exibindo erros relativamente raros de ver em casa (/tmp read-only? não pode abrir pipe? wtf?), e abrir novos programas se tornou impossível. Mesmo o navegador, que já estava aberto, de vez em quando fazia o sistema inteiro travar, provavelmente enquanto o OS ficava esperando o timeout de alguma operação de disco.

Antes de dormir decidi que estava na hora de encerrar aquela crueldade contra o hardware, fiz uma cópia (bem-sucedida) dos últimos logs, e desliguei o micro. Hoje de manhã, por desencargo, liguei o PC, e o boot até começou, mas ainda no começo do init ele me avisou que não ia poder montar alguns filesystems do fstab porque o disco não estava pronto. De fato era o fim.

Comércio local #fail

Como não ia mais dar pra adiar, saí no comércio local aqui de Jurerê, e perguntei por HDs SATA. O vendedor me disse que tinha dois lá – um de 80GB(?!) e um de 320GB, ao régio preço de R$ 380,00(!!). Mesmo assim pedi para “ver com a mão” esse aparelho tão caro, e ele disse que teria que esperar um pouco, porque estava instalado no micro dele, em testes.

Arrã! Mas disse ele que, se eu quisesse levar, ele até formataria pra mim, e seria melhor que um HD lacrado, porque estes vêm desformatados. Fico imaginando com que tipo de cliente eles devem estar acostumados a lidar…

WOOT

À tarde eu ia precisar ir mais pra perto da civilização para fazer compras de supermercado, então simplesmente saí da lojinha local me despedindo educadamente, e aproveitei a ida à Beira-Mar para visitar uma loja de micreiro profissional que fica ao lado do supermercado Angeloni – a Usina do Micro.

Lá fui muito bem atendido, e comprei um HD de 1TB por quase R$ 100 a MENOS do que pagaria pelo modelo de 320GB não-assumidamente usado que os lojistas locais tentaram me empurrar.

Aproveitei e comprei também uma antena omni de 10dBi (e uns 30cm) pra continuar minhas experiências com cobertura wi-fi em arquiteturas sinuosas.

Reinstalação e restore

Logo terminei também as compras do supermercado e a visita ao correio, e me dirigi para casa – tendo no caminho a oportunidade de levar uma fechada violenta do Fiat Uno do Mal (hoje transfigurado em um Celta branco) na frente do posto da polícia rodoviária. Chegando aqui, foi guardar o que era da geladeira, e me dirigir, com chave philips em punho, ao gabinete do desktop.

Trocar HD interno hoje é ainda mais fácil que nos bons tempos (porque os conectores SATA encaixam mais fácil). E como instalar o Ubuntu (e outros contemporâneos) é fácil, eu peguei o mesmo pendrive que recentemente usei pra fazer o upgrade do netbook, e bootei o desktop com ele. A maioria das configurações já estava correta, mas tive que fazer o particionamento (e por uns 15 minutos deu a impressão de que “eu nunca vou lotar um HD de 1TB”) e preencher o hostname certo.

Depois de instalar, foi só fazer os salamaleques necessários pro segundo monitor funcionar do jeito que eu queria, e fazer restore do /home (já concluído) e das partições de dados (vai rolar na madrugada).

Com o tempo a gente vai aprendendo bastante coisa com a vida, e uma das que eu aprendi é que, no que diz respeito aos desktops domésticos, a chatice da prevenção de catástrofes compensa. Na hora em que um HD, a placa mãe ou qualquer componente vital vai pro saco, o plano de continuidade pode ser simplesmente plugar um HD externo de mirror em algum outro micro que esteja à mão e seguir com o trabalho do dia, sem o stress da perda dos dados ou da produção.

Ou, quando dá, ter a tranquilidade de que os dados estão seguros, e tudo o que será necessário é substituir os componentes que queimaram. Mas sem considerar comprá-los na loja aqui da esquina…

Full Metal Jacket

December 20th, 2009

Foi um dos primeiros filmes em que pude constatar que o livro quase sempre é melhor. Excelente livro pra ler comendo pipoca! Mas o filme também não é nada de ruim.

Faz tempo que não revejo. Será que já saiu em Full HD?

The Creed of a United States Marine

1. This is my rifle. There are many like it, but this one is mine.

2. My rifle is my best friend. It is my life. I must master it as I must master my life.

3. My rifle, without me, is useless. Without my rifle, I am useless. I must fire my rifle true. I must shoot straighter than my enemy who is trying to kill me. I must shoot him before he shoots me. I will …

4. My rifle and myself know that what counts in this war is not the rounds we fire, the noise of our burst, nor the smoke we make. We know that it is the hits that count. We will hit….

5. My rifle is human, even as I, because it is my life. Thus, I will learn it as a brother. I will learn its weaknesses, its strength, its parts, its accessories, its sights and its barrel. I will ever guard it against the ravages of weather and damage as I will ever guard my legs, my arms, my eyes and my heart against damage. I will keep my rifle clean and ready. We will become part of each other. We will ….

6. Before God, I swear this creed. My rifle and myself are the defenders of my country. We are the masters of our enemy. We are the saviors of my life.

7. So be it, until victory is America’s and there is no enemy, but peace

O incendiário da firma

December 18th, 2009

Eu assisto The Office não só por achar muito engraçado (e acho), mas também porque a comédia corporativa serve de alerta e exemplo pra muita coisa.

Não imagino de onde os roteiristas tiram tantas situações (devem ser tipo o Scott Adams, que recebe de meio mundo sugestões pro Dilbert baseadas em fatos reais), mas muitas vezes eu terminei de ver um episódio já com a idéia pronta de alguma pauta a pesquisar pro Efetividade.net.

E os personagens? São quase arquétipos corporativos:

  • O chefe Michael é um eterno perdedor e coração mole, e nem ele entende (como os personagens do Seinfeld, que nunca aprendiam nada) como se safa das situações que ele mesmo cria.
  • O Dwight Schrute é um sem-noção completo, boçal ao extremo, sem habilidades sociais (“lots of CPU but no I/O”) que acredita ter resposta pra tudo e estar acima de todos. Falta uma barba…
  • O Stanley é um cara que existe em todo grupo: ele já se encostou nas cordas, está contando o tempo pra se aposentar ou ser mandado embora, e não faz questão de fazer nada que não seja absolutamente obrigatório – e mesmo assim contamina o ambiente com seu pessimismo e apatia explícitos.

E assim por diante, numa longa lista: o trainee ambicioso demais, o puxa-saco competitivo e caricato, a fofoqueira, a juíza do comportamento alheio, etc.

E, mais ou menos como é executado magistralmente no TBBT, tenho a impressão de que tudo ali é construído não para que nos identifiquemos com um personagem específico, mas sim com um conjunto das características de vários deles – daria de montar uma ficha de RPG e dar pontos de Jim, pontos de Pam, pontos de Creed, etc. para cada um de nós.

A melhor sequência ever

Narrei tudo isso só pra chegar a este ponto: essa semana eu estava assistindo a quinta temporada, cuja caixinha de DVDs acaba de chegar aqui em casa, e identifiquei na sequência abaixo, dos 4 minutos de abertura do episódio “Stress Relief”, a mais engraçada de toda a série.

Quem acessa pelo feed pode não estar vendo o vídeo ali acima, mas vale a pena clicar pra carregar o post inteiro e aí assistir a sequência de 4 minutos caóticos, que começa com o Dwight contando que na semana anterior ele deu uma palestra sobre procedimentos de segurança e ninguém prestou atenção – mas ele sabe a razão: ele usou Powerpoint, e Powerpoint é chato demais.

Por isso ele vai fazer a coisa mais lógica do mundo para que todos aprendam: trancar todas as portas, aquecer as maçanetas com um maçarico (pra parecer que tem fogo do lado de fora), e tocar fogo numa lixeira numa saleta, pra fazer bastante fumaça – e assim todos darão atenção a ele enquanto ele ensina como lidar com a situação.

O que poderia dar errado? Tudo! Ninguém está interessado em instruções. O chefe é o primeiro a gritar “Então é cada um por si!”, e o cara que consegue escapar pelo teto não está disposto a ajudar mais ninguém a subir. A funcionária que tem um gato só quer saber de salvar o gato, que é o que interessa pra ela.

Enquanto 2 empreendedores tentam, sem apoio de ninguém, arrombar uma porta usando uma copiadora como se fosse um aríete, outro arrebenta uma janela pra pedir socorro – e ninguém lembra de usar o celular.

Alheio a tudo, um cara se ocupa de quebrar a máquina de salgadinhos e encher os bolsos com pacotinhos.

E o Dwight, que tem certeza de que está tudo sendo muito instrutivo, a certo momento sobe em uma cadeira, toca uma sirene e avisa: tudo não passou de um exercício! Expressões incrédulas se dirigem a ele, mas só até se voltarem ao Stanley, que está tendo um ataque cardíaco.

A cena encerra com vários funcionários tendo que conter o chefe Michael que, apesar de não saber nada sobre o assunto, quer fazer respiração boca-a-boca no Stanley ao mesmo tempo em que, aos gritos, tenta acalmá-lo lembrando que ele é negro, e Barack agora é o presidente, então ele não pode morrer.

É uma enorme densidade de caos por segundo, e é tão legal que constou na retrospectiva de 2009 da Time. Recomendo!

Compras de Natal on-line: paguei metrônomo, recebi aspirador

December 17th, 2009

Quem não conhece a história de alguém que aderiu às compras on-line para se livrar do inferno do comércio local na hora de comprar os presentes de Natal?

Aconteceu comigo quando faltavam 3 semanas pro Natal, mas por ter um entendimento aproximado de como estes processos funcionam no nível estratégico, eu tive condições de resolver a tempo, e agora compartilho com vocês tanto a minha forma de ver a raiz do problema, quanto a solução que adotei e recomendo.

Provavelmente isso ainda vai virar um post pro Efetividade.net, mas por enquanto compartilho com vocês, caros amigos, o que penso a respeito.

A solução inicial: prevenir é melhor que remediar

Talvez eu tenha sido meio early adopter nisso, e já aprendi que o melhor é comprar bem antes do pico (tipo: final de outubro já ir começando), e dividir em várias compras e datas, não só pra aproveitar o melhor preço de cada um dos (poucos) concorrentes da área, mas também como uma forma de reduzir o prejuízo e incomodação causado pelos eventuais erros.

Não tenho certeza se o dispêndio total vai ser maior ou menor do que se eu tivesse ido ao comércio local, até mesmo porque o processo de comprar olhando vitrines é bem mais subjetivo, nem sempre se compra só aquilo que se planejou, e há outros custos associados: deslocamentos, estacionamentos, o custo de oportunidade do tempo empregado, etc.

Mesmo assim, pra mim comprar online funciona mais pela comodidade do que por uma intenção de gastar um pouco menos com as compras que eu planejei; a discussão sobre a variação de custo eu preciso deixar para quem tem nisso o fator-chave para a sua opção por um método.

Quando dá certo de primeira, é uma maravilha. Mas se der errado…

A complicada cadeia logística dos grandes varejistas on-line já é vulnerável em épocas “normais”, mas nas datas quentes do comércio ela se estica toda, porque há limites para quanto todos os envolvidos (fornecedores, transportadores, empregadores) podem expandir suas capacidades em períodos tão curtos e sem prejudicar a competitividade dos preços.

Mesmo assim, a maioria das entregas acontece normalmente, os clientes ficam satisfeitos, e a coisa anda como deveria andar. Só que o fato de a cadeia estar toda esticada até o limite queima todas as margens de segurança, e isso tem um efeito nefasto sobre as exceções, que são os casos em que a entrega não ocorre, ou ocorre com erro grave.

É similar aos (caos|call) centers das operadoras de celular

O caso dos call centers, mais conhecido, serve como analogia pra explicar. Nem com lei fixando parâmetros de qualidade (tempo de atendimento, tempo de solução, etc.) as operadoras resolveram a questão.

O que se divulga sobre isso faz bastante sentido: cada uma delas pega lápis e papel e calcula custos e riscos, concluindo: sai mais barato ir ignorando tudo e esperar a bomba explodir no judiciário (caso isso de fato aconteça) do que investir para dar desde já o atendimento que deveria ser dado.

E o cliente? Se estiver insatisfeito, ele que vá para outra operadora, mas ao mesmo tempo os clientes insatisfeitos da outra virão para a minha, já que os gestores de lá farão a mesma conta e chegarão à mesma conclusão. E aí eles encontram as justificativas, dão um jeito de cobrar de todos nós a conta por essa rotatividade, portabilidade, etc., e tocam suas vidas.

Tomada esta decisão no nível estratégico, ela nem precisa ser comunicada aos operadores, supervisores, gerentes, etc. – o sistema será dimensionado assim, funcionará assim, e apesar disso os gestores de nível médio serão cobrados pelos seus superiores como se fosse possível atender aos patamares de qualidade que se optou por não oferecer – afinal, a estratégia perversa não pode funcionar se for de conhecimento público.

Claro que essa decisão, perversa mas racional (dentro do paradigma descrito, ao menos) só funciona enquanto não houver uma operadora que resolva sair do esquemão. Mas mesmo que uma delas saia, é bastante provável que sua estratégia seja vítima de seu próprio sucesso, uma vez que vai ficando desproporcionalmente mais difícil oferecer o mesmo diferencial conforme mais clientes forem chegando e os concorrentes forem reagindo…

Transpondo pra realidade do varejo online

Eu vejo no varejo online natalino uma variação dessa perversão do modelo, com características um pouco diferentes. A base da idéia é a seguinte: a cadeia logística como um todo se reforça (um pouco) e se estica (bastante), mas a ênfase de todos os envolvidos é ampliar e reforçar as atividades onde mais retorno é percebido: conseguir fechar mais vendas, conseguir entregar mais produtos.

As atividades de suporte a isso tudo recebem reforços menores, quando recebem. E não é porque os gestores não sabem que haverá mais erros, trocas e defeitos que o normal. Eles sabem disso muito bem, mas investir nas áreas que geram maior retorno imediato está mais adequado ao sistema de incentivos (objetivos ou não) nos quais cada um deles está inserido (do maior gestor do depósito ao mais humilde motoboy terceirizado).

E aí o call center congestiona, as respostas por e-mail não chegam, o chat-online tem fila de mais de 50 pessoas, etc. Como previsto e aceito, como escolhido e definido: o sistema foi dimensionado exatamente assim.

A escolha de Sofia

Ocorre aí uma situação em que não há a menor chance para o consumidor que ficou sem receber, ou recebeu uma entrega trocada, danificada, ou atrasada demais: a empresa já escolheu que para ela é mais interessante ampliar o número de consumidores satisfeitos desde o começo do que investir bem mais para garantir que aquele percentual que certamente ficará insatisfeito possa ser reconquistado.

E não é que eles não queiram te atender: eles querem! Mas a quantidade de reclamações sendo processada pelo pessoal da qualidade, trocas, devoluções ou o que seja torna impossível uma resolução rápida, e o restante dos recursos da cadeia está completamente esticado e não pode ir apoiar – o foco deles continua sendo fazer mais vendas, mais transportes e mais entregas até o Natal, e o que for dando errado, dentro da margem anteriormente definida como aceitável, “a gente vê depois”.

Ou seja: se te entregarem tudo certinho, você se deu bem, e está entre a maioria dos clientes que são bem-atendidos, no prazo certo, com a qualidade esperada. Mas se o seu produto não veio, ou chegou trocado, danificado ou incompleto, já era: há muito pouca chance de a situação se resolver a tempo, e todas as suas argumentações com base de que o erro não é seu, você não pode ser penalizado por ele, e que deseja uma solução completa antes do Natal cairão em ouvidos já cansados de receber as mesmas frases e ameaças sem poder reagir a elas – positivamente ou não.

Você sempre pode tentar, e claro que algumas pessoas conseguirão uma solução. Mas a essa altura você já está insatisfeito, e na atual situação de mercado em expansão e concorrência insuficiente, sai muito mais barato ampliar o número de clientes satisfeitos do que recuperar os que já estiverem insatisfeitos – e os danos à imagem causados pelos poucos insatisfeitos que conseguem algum espaço para reclamar não chegam a mudar isso, pelo menos por enquanto.

O meu caso emblemático: pedi metrônomo, recebi aspirador

Este ano eu fiz minhas compras de Natal principalmente em uma grande empresa de varejo on-line brasileira, integrante do conglomerado líder no setor, cujo nome vou preservar, mas vale mencionar que eu tenho conhecimento de que ela frequentemente submerge em um mar de problemas de entregas na época de Natal, ok?

Mas usei minha técnica usual, que funciona bem: comecei a comprar quando outubro acabou, e dividi em várias compras menores, até porque não haveria ganho com o frete se eu comprasse em um lote só. Tudo que eu comprei chegou no prazo e com integridade.

Mas no final da primeira semana de dezembro eu precisei fazer uma compra não-natalina: um cartucho de impressão e um metrônomo digital, ambos em falta nas lojas que frequento aqui na minha cidade. Mesmo sabendo do risco do período natalino, fiz o pedido online e aguardei os 3 dias do prazo, tranquilo. E não chegou. E continuei tranquilo.

No quarto dia, quando cheguei em casa, o porteiro entregou um pacotão com o emblema da empresa, e eu já fui abrindo, contente, enquanto subia pelo elevador. Mas o contentamento acabou ali mesmo: o pacote, corretamente endereçado a mim, tinha um número de pedido que não era o meu, a bolsinha onde deveria vir a nota fiscal estava vazia, e o conteúdo era um aspirador de pó portátil, de voltagem única e incompatível com a tensão aqui do meu estado. #epicfail

Quando percebi tudo isso, eu já sabia que o jogo havia acabado, e meu metrônomo era o perdedor. Tendo lido muitas histórias de horror do atendimento do suporte submerso, já fiz direto o que tinha maior expectativa de sucesso: telefonei para lá no domingo de manhã (fora do pico, portanto), abri a reclamação, aguardei chegar o e-mail de protocolo, respondi a ele com fotografia da etiqueta do pacote, e aguardei o prazo de apuração que sabia que não seria cumprido.

Ao final do prazo, mandei novo e-mail pedindo o que eu queria desde o princípio, mas sabia que não devia pedir inicialmente: que esquecessem o assunto todo, não consertassem mais o erro deles, e ao invés disso apenas me devolvessem o dinheiro.

Devolver o dinheiro é algo que o varejo quase nunca quer, mas o responsável por esse tipo de fila de atendimento usualmente tem um indicador de desempenho muito importante para a sua própria avaliação departamental, que é a taxa ou prazo de resolução de questões. A essa altura, ele sabe que a apuração de uma entrega errada não é o problema, mas ele jamais conseguirá entregar um produto substituto a tempo.

Devolver o dinheiro, por outro lado, é algo que ele faz rapidamente, e depois o departamento financeiro que se vire. E o aspirador 110V entregue errado permanece aqui à disposição caso ele queira vir aqui recolher, mas acho que isso é incompatível com o indicador dele – para o departamento dele, sairá mais barato dizer que o produto se extraviou, e pronto – afinal, lá não é a máfia, eles não vão apurar isso até o último centavo depois que o corre-corre acabar.

E aqui estou eu, com a compra desfeita, o crédito a caminho da minha conta novamente (vai demorar – agora chegou a vez de eu ser mal atendido pelos padrões de qualidade e serviço da operadora de cartões de crédito), e a caminho de mais um périplo pelas lojas de música para ver se encontro um bom metrônomo digital – mas acho que só vou fazer isso no dia 28, depois que o pessoal das trocas de presente nas lojas de roupas já tiver desocupado os estacionamentos!

Isso quer dizer que você não deve comprar on-line?

Não, não é isso que eu quero dizer. Inclusive eu vou continuar comprando na mesma loja, e recomendando.

O fato de ela funcionar assim perversamente quando o sistema falha não é nenhuma surpresa pra mim, nem deveria ser para ninguém. E isso acontece porque de fato o número de clientes que recebem os produtos corretamente é muito superior, o que por enquanto ainda dá aos gestores a possibilidade de agir perversamente com os demais casos.

A minha mensagem é a seguinte: fazer compras natalinas on-line a partir da primeira semana de dezembro é um risco, e deve ser tratado como tal. Há maneiras de prevenir ou limitar os danos, mas quando eles chegarem a acontecer, o melhor é dar a transação toda como perdida, e apenas tentar recuperar o valor pago, do que persistir na esperança vã de que algo será resolvido até o Natal – porque isso sim é quase como ganhar na loteria!

O Fiat Uno do mal

December 16th, 2009

Voltando agora do supermercado, vim atento para comprovar o que até ontem era apenas uma impressão: a SC 401 é mesmo assombrada por um Fiat Uno do Mal, que aparece no trechinho entre Ratones e o viaduto da Pacha (a uns 665 metros de onde o Aurélio trabalhava, em seus tempos floripenhos) a qualquer horário em que eu passe por lá, não importando o sentido.

E o pior é que estamos falando de um Fiat Uno transmorfo, que às vezes se apresenta como um decrépito modelo enferrujado, outras vezes parece que acabou de sair da concessionária, e a cada vez surge com uma cor diferente.

Mas o Mal nunca consegue esconder sua verdadeira natureza, e algum dos Sinais dos carros do apocalipse sempre se faz presente. O mais típico é que um destes estigmas possa ser percebido pelo observador atento:

a) motorista de boné
b) placa de são josé
c) bagageiro (improvisado) no teto
d) led ou neon comprado no Makro

Como convém à sua natureza trevosa, o Fiat Uno do Mal muitas vezes tenta esconder sua identidade por trás de atos de inofensiva bondade: cede a vez para que outro carro entre na pista, liga o alerta quando há alguma interrupção, ou mesmo pára para dar carona a algum de seus agentes que esteja em um ponto de ônibus.

Mas não se engane! Caso você baixe a guarda, ele irá fechá-lo, parar bruscamente, fechar outro carro que desviará para cima de você, ou emparelhará com a Moto Infernal que anda a 30km/h, impedindo qualquer chance de ultrapassagem.

Como muitas das outras manifestações penadas ilhoas estudadas no século passado por Franklin Cascaes, entretanto, o Fiat Uno do Mal também está firmemente ancorado ao pequeno trecho de rodovia em que se manifesta, jamais aparecendo antes de Ratones, nem após o trevo da Pachá.


Vela de 7 dias

Fique atento, portanto: ao circular pelas rodovias do norte da Ilha de Santa Catarina, jamais deixe de levar consigo dentes de alho, um platinado de prata, uma vela de ignição votiva ou mesmo um recipiente de água de bateria benta, pois o Fiat Uno do Mal está sempre à espreita tentando desviar do asfalto os incautos.

let me sing, let me sing, let me sing my rock’n'roll

December 16th, 2009

Nada como umas aulas de instrumento pra redescobrir as músicas da infância…

A versão acima é dos Autoramas (+ Erika), em um DVD Tributo mais ou menos recente. Mas acho que a homenagem certamente está à altura do baiano cujas músicas eu agora para, mal e mal, tirar na guitarra.

Trechinho da letra que permanece atual pra mim:

Não vim aqui tratar dos seu problemas
O seu Messias ainda não chegou
Eu vim rever a moça de Ipanema
E vim dizer que o sonho
O sonho terminou
Eu vim rever a moça de Ipanema
Ei dizer que o sonho
O sonho terminou

Let me sing, let me sing
Let me sing my rock’n'roll
Let me sing, let me swing
Let me sing my blues and go

Não quero ser o dono da verdade
Pois a verdade não tem dono, não
Se o “V” de verde é o verde da verdade
Dois e dois são cinco, n’é mais quatro, não
Se o “V” de verde é o verde da verdade
Dois e dois são cinco, n’é mais quatro, não

Num vim aqui querendo provar nada
Num tenho nada pra dizer também
Só vim curtir meu rockzinho antigo
Que não tem perigo de assustar ninguém
Só vim curtir meu rockzinho antigo
Que não tem perigo de assustar ninguém

It’s alive

November 15th, 2009