Conversas boas são jogos de frescobol, não de tênis

Uma conversa leve é como um jogo de frescobol: o objetivo é manter a bolinha no ar, contribuindo para não fazer a outra pessoa derrubá-la.

Observando a chegada de várias centenas de novas pessoas a uma rede social desde a virada do ano, notei a repetição de padrões que já vi acontecerem, muitas vezes antes, nas tentativas de se enturmar.

Sou um observador de técnicas de conversação, pois o TEA sempre me demanda atenção extra à comunicação.

Alguns desses padrões funcionam, outros não - e eu observo isso do ponto de vista de alguém sempre atento a esse tema, pois o TEA me demanda atenção extra à comunicação.

O negócio é que uma conversa realmente boa é similar a uma partida de frescobol, em que lançamos a nossa contribuição de tal forma que o outro participante possa lançar também a dele, na expectativa de continuidade, com contribuição de ambas as partes, que não são adversárias entre si.



Assim, tenho duas sugestões a quem quer se enturmar e ter boas conversas nas redes (e, igualmente, fora delas):

1. Ao responder, comece concordando ou discordando explicitamente. Ideal: comece com "Sim! Além disso…"1

2. Pra puxar conversa, não responda a uma afirmação com uma pergunta. Exponha uma posição, e deixe as outras pessoas livres sobre como prosseguir. ESPECIALMENTE se estiver fazendo uma tentativa de humor.

Tende a dar mais certo se você deixar a outra pessoa livre para interagir como preferir (sem tentar colocá-la numa posição em que ela esteja sendo entrevistada ou chamada a confirmar, justificar ou refutar algo).

Pra manter a analogia, lembre-se que é completamente diferente de um debate de oponentes, que é como uma partida de tênis em que cada lado deseja lançar seu argumento para a quadra oposta, na expectativa de que o oponente não consiga lançar outro de volta.

Assim, se você perceber que está levantando a bola para o outro cortar contra você, aí a técnica simplesmente não funciona, e não vale a pena insistir nela, nem mencioná-la – e talvez nem seja possível ter uma conversa agradável sobre esse assunto, com essa pessoa, nesse momento.

 
  1.  “Sim, e...”, é uma dica extraída da comédia de improvisação (ou improv), que sugere que, para manter a cena rodando, um participante deve aceitar o que outro improvisador declarou (“sim”) e, em seguida, expandir a sua linha de pensamento (“e...”).