Archive for the ‘Software livre’ Category

Ganhar a vida com software livre

Monday, January 28th, 2008

Esses dias eu postei lá no BR-Linux o link e alguns trechos de um manifesto do qual eu discordo em sua maior parte, contendo algumas generalizações que me ofenderiam pessoalmente se nesses casos eu não preferisse a abordagem do Casablanca, daquele diálogo entre o vendedor de vistos de saída e Rick Blaine. Mas não é por discordar que eu deixo de dar espaço pro autor, e pra quem quiser discutir.

A coisa meio que tomou um corpo, foi debatida aqui e ali, e acabou gerando um outro pequeno texto meu, falando (bem por alto) sobre a relação entre modelos de negócio, planos de negócio, e a perspectiva de quem pensa em viver de software livre, meio sob uma ótica clintoniana – mas bem superficialmente – demanda, incentivos, essas coisas.

E agora vou pedir licença pra falar um pouco mais sobre isso, sem compromisso de ser completo, conclusivo ou objetivo. Mas podia ser pior: eu poderia estar falando sobre o paredão do BBB…

O que eu não disse no meu segundo texto, ao falar sobre alguns modelos que têm funcionado, é que tem alguns que dificilmente funcionam. É preciso ser muito bom (mais ou menos no nível dos magos e ilusionistas, mas há exceções) para conseguir sucesso continuado em um empreendimento (ético e legal) sem ter uma boa proposta de valor, uma fonte bem definida de receita, um plano de crescimento e, se possível, alguma vantagem competitiva. Mesmo assim, todos os dias tem alguém que tenta, seja com software livre ou não. Muitos falham, e não são apenas os empreendedores individuais – como aquela série que o LWN vem publicando com a retrospectiva dos últimos 10 anos vem ilustrando muito bem.

Já no que diz respeito ao sucesso sob uma perspectiva comunitária, o cidadão precisa ter um produto ou serviço que atraia o público interessado em acompanhar e contribuir, precisa dar a oportunidade para que esta contribuição ocorra, e precisa também que exista algum estímulo (provido por ele mesmo ou por algum fator externo) para que estes eventuais interessados escolham contribuir para este projeto especificamente, e não para vários outros com tantos ou mais méritos quanto.

E mesmo quando o cara reúne tudo isso, ele ainda tem que ter sorte e vento a favor – seja no Brasil ou no exterior. Até porque me parece que a absoluta maioria das pessoas que se consideram parte da comunidade (aqui ou no exterior) não oferece contribuições para nenhum projeto livre. Não que elas devessem: é normal e natural ser apenas usuário (e eventualmente atuar divulgando ou debatendo alguma coisa na ausência dos desenvolvedores ou diretamente envolvidos e interessados). As pessoas que dão um passo a mais são a valiosa e escassa exceção.

Generalizar dizendo que ninguém contribui é injusto. Conheço até bastante gente aqui no Brasil, ou do Brasil, que contribui de forma efetiva com o código aberto, e vários outros que já contribuíram e acabaram parando. Alguns ganham a vida com isso, outros incluem isso como parte do seu sustento, e outros não se importam. Poucos deles tomam como base um projeto individual e independente, modelo complicado de fazer decolar e de manter no ar. A maioria dos que eu me lembrei agora, em uma rápida contagem, não atua como empreendedor. Precisam também de um modelo, de diferencial, de receita, etc., mas aí é no mercado de trabalho em que atuam, algo bem mais simples e bem diferente das necessidades de um empreendedor (plano de negócios, etc.) mencionadas acima. Não que um plano de carreira estruturado desta forma atrapalhe quem tem condições de tocá-lo ;-)

Curiosamente, eu percebo nesses que ganham a vida com o código aberto várias características em comum, que ajudam seus respectivos modelos pessoais a funcionar. E aquela fé cega, de quem viu a luz e escolheu um profeta para determinar o seu destino tecnológico, não costuma ser uma dessas características – o que não impede muitos deles de manterem dentro de si acesa alguma chama ideológica, em maior ou menor grau, às vezes bem forte.

De uma forma ou de outra, eu gostaria de um dia escrever sobre esse pessoal que ganha a vida – empregado, freela ou empreendendo – com código aberto no Brasil. O chato é que são todos bem ocupados, e não lembro de nenhum que goste desse tipo de papo brabo sobre si mesmo. E tenho a impressão de que nenhum falaria nada de surpreendente, nada muito além de “eu identifiquei uma demanda que envolvia o software livre, me preparei para atendê-la, e depois encontrei alguém disposto a me pagar para isso” – variando a forma: contínua, assalariada, empreendedora, freelance, morando na beira da praia no Sul do Brasil, em um laboratório no nordeste, em uma multinacional, ou em outro lugar. Programando, dando curso, prestando suporte, escrevendo, falando com clientes malas, e muito mais. Tem também os que ganham a vida usando ou administrando software livre, mas é uma categoria à parte. E, obviamente, tem os que contribuem sem interesse de ganhar a vida com isso, por razões variadas – sempre bem-vindos.

Um dia ainda entrevisto alguns deles sobre isso ;-) Por enquanto, minha conclusão é de que é mais do mesmo. E o que funciona pra uns, não funciona pra outros, e vice-versa. Conclusão ampla né? E vamos em frente.

RMS-on-a-chip

Monday, April 24th, 2006

Rosalie and Jerry Lewinson of St. Petersburg, Florida found the image of RMS on a Lay’s sour cream and onion potato chip. The couple is aware of GoldenPalace.com’s interest in such curiosities but haven’t decided if they even want to sell the stinky crisp. From the St. Petersburg Times:

“I was down there by myself” in the TV room, she said. “I said, “Jerry, you’ve got to see this potato chip.’

“He said, “Yeah.’ You know how guys are,” she said.

Then, Rosalie Lewinson said, her husband suggested, “Well, we can’t eat that.”

She has shown photos of the chip to fellow members of the local LUG and to family members, all of whom have been amazed at the resemblance.

Of course, who knows what RMS looks like?

“You only know what you think he looks like from pictures, but those are so EXPENSIVE these days,” said Rosalie Lewinson, 55.

Era dos extremos

Monday, August 8th, 2005

Um alemão chamado Falko Timme está montando uma série de tutoriais de instalação de servidores tipo “tudo em um” pra ISPs menores, indo além do mais básico em diversos serviços – e-mail com quota e TLS, apache com SSL e suexec, etc. e recorrendo ao apt e aos instaladores da própria distribuição pra boa parte do serviço. Eu já tinha publicado o link pro texto dele sobre como fazer isso no SUSE 9.3, e ontem ele mesmo se encarregou de me mandar o anúncio do texto novo sobre como fazer isso no Mandriva 10.2.

Achei legal, e imagino que muitos leitores vão achar também. Mas fiquei espantado (ao mesmo tempo divertido e perplexo, mas não exatamente surpreso) com o comentário de um leitor: “Bom mesmo.. mas seria melhor se fosse em Br, pois a tradução nunca é perfeita… sou brasileiro e não USA!” (sic). O cidadão deseja que, além de escrever e disponibilizar o material, o alemão escreva em múltiplos idiomas! Isto que ele já se deu ao trabalho de escrever em uma lingua que não é a dele, pra facilitar a vida de mais gente.

Gostaria de comentar ainda que ontem, ao ouvir de passagem a manchete “emerge submarino russo” enquanto lia uma matéria sobre gerenciadores de pacotes, entendi tudo errado.

Mas era isso. Bom início de semana pra vocês!

Meu próprio PVR

Sunday, May 1st, 2005

Poder gravar no micro o que passa na TV para assistir mais tarde é uma idéia bem conveniente, e faz tempo que eu desejo ter algo como o TiVo, o MythTV ou outro PVR. Não procuro algo que possa fazer uma pausa na programação ao vivo enquanto vou atender o entregador de pizza, mas meu foco é bem realista: gravar no micro, de preferência com agendamento prévio, para assistir em outro dia. Não tenho videocassete, mas não gosto de me submeter aos horários das emissoras e acho que o micro é uma solução ideal.

Ontem esta idéia voltou a surgir aqui em casa, e felizmente eu tinha guardada no armário (há pelo menos uns 4 ou 5 anos) uma placa de sintonia de TV (tipo bttv), um splitter de cabo de TV e os cabos extras necessários. Ontem mesmo instalei tudo, e embora a placa não tenha sido reconhecida automaticamente, não foi muito difícil fazê-la funcionar, e logo eu estava assistindo a programação de sábado à tarde no kwintv e no xawtv4.

Para tornar menos longa a história, depois de instalar o mplayer (e seu amigo mencoder) e pesquisar um pouco, consegui criar um script que grava (AVI/MPEG4) a programação de um canal de TV especificado por um tempo determinado, podendo ser chamado via cron. Os arquivos gerados são grandes (~ 1GB/hora, mas dá para comprimir depois), mas o HD tem espaço, e a intenção não é colecionar filmes nem documentários, só ter a oportunidade de assistí-los fora de hora.

Inaugurei gravando um episódio do The West Wing, que vou poder assistir hoje. E funcionou.

Para referência posterior e para compartilhar a dica, aqui estão os comandos básicos envolvidos no processo:

Para assistir a programação diretamente, sem gravar:

mplayer -quiet -tv driver=v4l2:norm=pal-m:channel="$1":\
chanlist=us-cable:width=352:height=240 tv://

Para gravar:

mencoder -quiet -endpos "$TEMPO" -oac pcm -ovc lavc -tv driver=v4l2:norm=pal-m:channel=""$CANAL:\
chanlist=us-cable:adevice=/dev/dsp:width=352:height=240\
-af volume=-15 -vf scale=720:480 -o "$ARQSAI" tv://

Kasablanca FTP

Sunday, May 1st, 2005

Ao instalar o WordPress hoje (procedimento facílimo, aliás – basta editar um arquivo contendo os dados do SGBD e transferir os arquivos para o servidor) encontrei dificuldades onde não deveria: no momento de transmitir os arquivos via FTP para o servidor.

Era uma árvore de sub-diretórios bastante simples, mas com nós suficientes para tornar indesejável o procedimento de transferência com o cliente padrão em modo texto (criando os diretórios manualmente no servidor). Recorri ao mc, que é sempre minha primeira escolha para esta tarefa, e simplesmente não funcionou: transferia alguns arquivos e congelava. Tentei o KBear, e ele sempre fechava sozinho logo após eu selecionar um conjunto de arquivos (qualquer) e mandar transferir – mesmo quando não havia subdiretórios na seleção. Tentei o lftp, mas eu não sei como fazer para transferir uma árvore local para o servidor (alguém sabe?) e não encontrei em uma leitura diagonal da documentação.

Kasablanca FTP

Quando tudo o mais falha, recorremos à documentação, e depois ao Freshmeat, e fui isso que fiz. E desta vez valeu a pena: encontrei o Kasablanca, um cliente de FTP simples mas que funciona. Ele foi feito com o kdevelop, adota o modo passivo por default, tem suporte a ftps (criptografado), conexões concorrentes e uma pequena série de outros recursos – ele não permite mudar as permissões de acesso aos arquivos, único detalhe de que senti falta. Mas o principal é que funciona, sem travar nem congelar.