Pelo jeito não é só nos blogs que as pessoas escrevem para ninguém ler: “Não sei se é por causa da poluição sonora, se por uma dege-neração congênita nas trompas de Eustáquio ou se o volume do iPod deixa as pessoas mais surdas do que o normal, mas o que me parece mesmo é que ninguém ouve ninguém. Tenho reparado que ultimamente as pessoas, quando conversam, falam, falam, mas não ouvem.”
– J. R. Duran em coluna na Revista Trip
Outro trecho interessante da mesma coluna, agora sobre expectativas: “Fim de tarde, no instante em que estou saindo do aeroporto, em Porto Alegre, e entrando em uma van que me levaria até Gramado, toca meu celular. Era uma repórter, que estava fazendo uma matéria e queria ouvir a minha opinião. Ok. Pode ser rápido? Podia. A pauta em questão era sobre o turning point, momento decisivo que supostamente existe na carreira de alguns fotógrafos. Queria saber qual teria sido o meu. Não tive, respondo. “Como assim”, diz ela, “não existiu um momento especial?” Não. “Mas não houve um momento em que sua carreira desse uma guinada?” Não.
Expliquei que nunca havia visto um arbusto em chamas falando comigo. Como ela não leu a Bíblia, não entendeu a piada. Em um certo momento, ela me disse que assim não poderia es-crever nada a meu respeito. Respondi que, para mim, tudo bem. Ela desligou puta da vida porque falei a verdade.”