Faz umas 2 semanas que eu ativei um novo site, a princípio com a intenção de me divertir um pouco com a produção de histórias malucas (do tipo que explora teorias da conspiração e a atração natural do ser humano pela busca de explicações complexas para os fenômenos que não compreende bem) e com o tipo de retorno (na forma de comentários online e mensagens enviadas pelo site) que eu já sabia que esta espécie de conteúdo gerava.
Mas a coisa foi evoluindo, publiquei algumas histórias mais elaboradas, o público continua procurando *muito* no Google pela história da nuvem sideral que vai destruir o planeta, e em todos os artigos mantive o mesmo padrão: inserir no rodapé uma mensagem informando que é tudo mentira, e no cabeçalho um link para uma página no estilo “Sobre”, que também afirma a mesma coisa.
Outro padrão, que também é receita de sucesso para sites de informações “secretas”, é a existência de um monte de links para conteúdo aparentemente disponível apenas para “insiders”, mediante login e senha. Aí o cidadão vê um link para uma foto de um fragmento de disco voador contendo hieróglifos, clica e percebe que aquilo ali é só para os iniciados. Claro que muita gente reconhece a empulhação logo de cara, mas o sucesso de muitas sociedades secretas picaretíssimas (embora nem todas sejam, claro) demonstra que esta segregação é vista por um percentual do público como um indicativo a mais de que é tudo verdade – e aí o cidadão não vê a foto do fragmento, mas sai com a certeza de que ela existe.

Além de servir como evidência para esta parcela do público, a aparente existência desta compartimentalização de informações tão “relevantes” gera outra conseqüência: um desejo incomensurável de fazer parte desta misteriosa elite que tem acesso às informações nunca vistas. Na primeira semana de existência do site, recebi 84 pedidos (via formulário de contato) de informações sobre como ter acesso às informações secretas. Aí coloquei no ar um formulário de inscrição, que o interessado tem que preencher para (em tese) ser avaliado por uma sociedade secreta. A parcela do público que leva a sério o que está preenchendo, basicamente abre mão da sua privacidade, pois declara estar de acordo em ser investigado secretamente, em seu ambiente doméstico, profissional e acadêmico, durante 45 dias. Também declara estar disposta a atender ao disposto por seus superiores na hierarquia da organização, e outros detalhes que eu não aceitaria sem conhecer antes a organização a que estou me candidatando como membro. Desnecessário dizer que o candidato é orientado a ler a página que “desmascara” o site antes de preencher, mas aparentemente pouquíssimos lêem.
Este formulário está no ar há 7 dias, e minha expectativa era receber talvez uns 10 “candidatos” neste período. Mas já na primeira noite esta marca foi alcançada, e hoje já tenho cerca de 85 formulários preenchidos – a maioria deles claramente a sério, e interessadíssimos. E é aí que a coisa começa a ficar interessante: uma mestranda em psicologia se interessou muito sobre estes dados que atestam a credulidade das pessoas, a tendência a acreditar em explicações complexas e em fatos não demonstrados, e o desejo ardente de estar “por dentro”, a ponto de aceitar imposições absurdas oferecidas por desconhecidos, e de repente o site passou de fase: além de continuar sendo minha diversão, tem uma acadêmica coletando os dados – e é claro que eu não passo pra ela nenhuma identificação pessoal que eventualmente as pessoas incluem em seus formulários. Ela sugeriu algumas coisas, como incluir citações absurdas de autores inexistentes e referenciar programas de TV, e eu já estou atendendo. Parece dar o resultado que ela esperava.
Assim, a brincadeira evoluiu. E a conspiração cresceu
E embora eu não tenha a menor intenção de brincar de Cocadaboa e enganar a imprensa, vejam essa notícia de um site regional. Tem uns fóruns e comunidades do orkut discutindo ativamente as notícias também…
Conforme 
Depois de alguns meses envolvido com a celebração do realismo no