Archive for January, 2007

But some stupid with a flare gun burned the place to the ground

Sunday, January 28th, 2007

Poucos dias atrás, o OSTG (Linux.com, Newsforge, etc.) deu espaço e voz para os guris debiânicos brasileiros. Eu publiquei a história no BR-Linux sem mencionar o nome de nenhum dos amigos e colegas debiânicos principalmente porque não queria dar prova adicional contra eles caso a moda de processos por difamação online (que podem ocorrer mesmo quando o fato afirmado é verdadeiro) faça novas vítimas, mas já ficou bem claro que eles não estão preocupados, portanto fica aqui meus cumprimentos pela coragem de escrever claramente o que pensam.

O que eles falaram para todo o mundo foi uma opinião que muita gente que eu conheço compartilha: que a imagem internacional do Brasil como um paraíso do software livre apoiado pelo governo federal não corresponde à realidade.

O que é uma pena, porque potencial havia. Minha impressão é a de que a imagem foi construída pelos discursos de superstars “visionários” (ou descolados da realidade) que realmente acreditavam poder atacar os grandes moinhos de vento de La Mancha montados no seu velho Rocinante, mas eles não deram os passos certos e nem procuraram apoios sólidos para transformar este sonho em realidade. Aí pediram orçamentos impossíveis para planos irreais, que naturalmente foram negados, e se retiraram para o circuito dos eventos de software livre e das entrevistas de TV.

Infelizmente, a herança dos tempos quixotescos é difícil de administrar, como no principal exemplo: um programa que deveria estimular o software livre em computadores populares não consegue fazer com que os fabricantes sejam obrigados a entregar uma configuração que não estimule o usuário a instalar um sistema operacional pirata já na primeira semana, e ninguém fala nada sobre revisar os parâmetros. Eu também não iria querer associar meu nome com esta situação lamentável, se estivesse no governo e o próprio pai da criança fingisse que não é com ele, dia após dia.

Outro hábito difícil de morrer é o de especificar e licitar projetos de inclusão digital sem entrar em contato com a comunidade de software livre, e depois cobrar dela a “ausência de apoio” se o projeto vira um mico, com configurações de hardware que não funcionam ou não atendem os propósitos planejados, micros distribuídos em conjunto com impressoras sem driver e sem a senha de root que permitiria instalá-lo, distribuições obscuras e sem plano de upgrade, ausência de qualquer preocupação em treinar previamente quem irá operar e administrar estas máquinas.

Mais complicada ainda é a ausência de respostas, de propostas de mudança, de qualquer reconhecimento de que o feedback está sendo recebido nas torres do palácio.

Essa situação não me afetaria pessoalmente, mas me incomoda porque tem grande potencial de enlamear o próprio conceito de software livre, como qualquer pessoa que comprou um Computador para Todos cujo modem ou porta USB não funcionava, mas passou a funcionar assim que se instalou um sistema operacional pirata, poderá lhe confirmar.

E eles continuam por aí, com novos projetos, contratações de multinacionais com distribuições obscuras, e ampliação do incentivo à produção de PCs populares que permite que os fabricantes terceirizem o suporte de software para empresas que cobram R$ 30 por ano, por usuário, para prestar este suporte (dados do IDGNow). Como esperar que uma empresa assim se sinta incentivada a não torcer para que o usuário desinstale o Linux rapidamente e deixe de representar um custo de suporte?

E o pior, fingem que não é com eles e acham que se ficarem quietinhos, a inquietação da comunidade vai passar. Mas acho que dessa vez não vai dar certo.

Eu passarinho

Thursday, January 11th, 2007


The first condition of progress is the removal of censorship. ~George Bernard Shaw