Tive um sonho estranho, de futuro distópico, aparentemente sem mensagem oculta. Era como se eu estivesse assistindo a um documentário que se passava aproximadamente em 2050, em um país oriental, mas buscava justificar mudanças que estavam acontecendo por aqui também. Era uma coisa bem diurna, mas extremamente poluída e suja – não sombria.
O esquema todo era que havia acontecido um colapso generalizado da economia, e não era mais possível pensar em promover o livre emprego ou sustentar a população como um todo. O Estado não interveio diretamente, mas sim legalizou que a iniciativa privada, organizada como microempresas, fizesse o que fosse necessário.
Assim, a população foi dividida em blocos, havendo classes privilegiadas (podiam circular, produzir e consumir à vontade), classes restritas (identificadas por tatuagens no rosto, podiam circular, produzir e consumir apenas em determinados horários ou dias da semana) e as classes deixadas de fora, passadas a ser consideradas fora da proteção do Estado, e sem o status de seres humanos – incluindo todos os que estivessem cumprindo penas, as pessoas que estivessem sem documentos, os estrangeiros que estivessem no país sem visto e as pessoas das classes restritas que fossem pegas circulando, produzindo ou consumindo economicamente fora do seu horário.
O mais bizarro é que a iniciativa privada recebeu a autorização de explorar economicamente estas classes “inumanas”, empregando-as como trabalhadores escravos (em condições terríveis, pouca alimentação, trabalho até a morte), como fontes de doação (comercial) de órgãos em verdadeiras “fazendas de tecidos”, e com os respectivos comércios de insumos: caçadores e distribuidores de escravos e de doadores de órgãos.
Distópico, eu sei. Boa semana!

