Archive for October, 2007

Surplus citizens

Monday, October 15th, 2007

Tive um sonho estranho, de futuro distópico, aparentemente sem mensagem oculta. Era como se eu estivesse assistindo a um documentário que se passava aproximadamente em 2050, em um país oriental, mas buscava justificar mudanças que estavam acontecendo por aqui também. Era uma coisa bem diurna, mas extremamente poluída e suja – não sombria.

O esquema todo era que havia acontecido um colapso generalizado da economia, e não era mais possível pensar em promover o livre emprego ou sustentar a população como um todo. O Estado não interveio diretamente, mas sim legalizou que a iniciativa privada, organizada como microempresas, fizesse o que fosse necessário.

Assim, a população foi dividida em blocos, havendo classes privilegiadas (podiam circular, produzir e consumir à vontade), classes restritas (identificadas por tatuagens no rosto, podiam circular, produzir e consumir apenas em determinados horários ou dias da semana) e as classes deixadas de fora, passadas a ser consideradas fora da proteção do Estado, e sem o status de seres humanos – incluindo todos os que estivessem cumprindo penas, as pessoas que estivessem sem documentos, os estrangeiros que estivessem no país sem visto e as pessoas das classes restritas que fossem pegas circulando, produzindo ou consumindo economicamente fora do seu horário.

O mais bizarro é que a iniciativa privada recebeu a autorização de explorar economicamente estas classes “inumanas”, empregando-as como trabalhadores escravos (em condições terríveis, pouca alimentação, trabalho até a morte), como fontes de doação (comercial) de órgãos em verdadeiras “fazendas de tecidos”, e com os respectivos comércios de insumos: caçadores e distribuidores de escravos e de doadores de órgãos.

Distópico, eu sei. Boa semana!

Lambretagem

Wednesday, October 10th, 2007

Patrulha nada, que patrulha o que? Quem quiser postar sobre o estrondoso crescimento da Wikipédia em Volapük tem, desde já, o meu beneplácito e garanto o salvo-conduto em nome do clã dos sem-terra.

O Volapük, aliás, é um fenômeno interessantíssimo entre os idiomas que já nasceram mortos mas mesmo assim arregimentam grande legião de seguidores que pregam a sua superioridade, em uma visão de nicho que encontra paralelo em outras comunidades extremamente otimistas que já conheci, mas não em muitas.

Seu criador, o padre Johann Martin Schleyer, criou o idioma inteirinho em 1880, e foi um grande sucesso, e já em 1889 houve uma Conferência Internacional de Volapük, falada totalmente neste idioma, em Paris. Foi a terceira convenção internacional, e nas duas primeiras os trabalhos foram realizados em alemão. Realizar a conferência no próprio idioma é um marco similar ao que hoje encontramos quando passa a ser possível compilar nele mesmo o próprio compilador de uma linguagem, em uma dada plataforma. Mas exige uma quantidade maior de nerds.

O idioma foi criado após um sonho em que o padre Schleyer acreditou que o próprio Deus o estava instruindo a criar um idioma internacional, e menos de 10 anos depois havia 283 clubes, 25 periódicos e 316 livros em ou sobre o Volapük.

Segundo a wikipedia em inglês, hoje há apenas cerca de 30 pessoas capazes de falar Volapük, em todo o mundo. Mas eu tenho quase certeza que isso é mentira, é coisa dos ianques opressores, imperialistas estadunidenses que não aceitam reconhecer o crescimento de um idioma verdadeiramente livre e capaz de desbancá-los ainda nos próximos 300 anos.

O líder do movimento Volapük, após passar um período de renovação na pujante península separada da Europa pelos Pirineus, está de volta ao Brasil para coordenar os esforços pelo desenvolvimento sem limites, a partir de nova base no Planalto Central, coração do mundo, pátria do futuro!

E o resto? O resto é lambretagem.

Submarino emerge em meio a regata na Espanha

Monday, October 1st, 2007

Sensacional a notícia do Valencia Sailing: Submarine disrupts the Vuelta España a Vela. Me dá a impressão de saber quem ajudou a planejar a regata, ou a rota do submarino.