Você às vezes muda a escolha de palavras ou de atitudes porque sabe que há extremistas em eterna vigilância sobre o seu vocabulário? Eu às vezes me percebo nessa situação (quando percebo, muitas vezes decido a tempo por desfazer a auto-censura voluntária), e em outras eu acabo me submetendo, até mesmo por concordar com os argumentos – foi isso que me levou a reescrever meu título, tirando o substantivo que eu tinha escolhido originalmente e substituindo pela palavra “extremista”, muito mais politicamente correta.
Mas vamos ao assunto. A notícia ilustrando o mau humor, ou pelo menos ausência de capacidade de encarar com leveza de espírito quem não compartilha do seu posicionamento, vem do portal da Globo: “‘Caveirão’ em corrida de rolimã na USP causa polêmica.
Será que estava faltando assunto para polêmicas nesses grupos? Vamos a um trecho: “A participação de um carrinho de rolimã estilizado como um “Caveirão”, o blindado utilizado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), da polícia do Rio de Janeiro, em uma corrida de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) provocou indignação e motivou críticas de integrantes de movimentos de defesa dos direitos humanos no Rio de Janeiro.”
Não sou nenhum nacional-socialista e passaria longe de qualquer reunião moderna do NSDAP na minha cidade natal, mas para mim a caracterização de um carrinho de rolimã como o (talvez tristemente) famoso veículo oficial da polícia em um evento festivo é bem mais criativa do que as tradicionais fantasias de carro de bombeiro, ambulância, rabecão ou carro de fórmula 1.
Mas há quem consiga enxergar no ato razão para indignação, apontando como sintoma de alienação dos participantes em relação a um genocídio que vem ocorrendo em determinadas regiões. Mais um trecho: “”É lamentável. A gente até entende porque essas pessoas que participam dessa brincadeira são de classe média e têm esse senso de que a PM está cumprindo a tarefa de manutenção da ordem vigente. São jovens de classe média que não têm noção do que acontece. A gente sabe que efetivamente o que há é a criminalização da pobreza”, diz a advogada Lidiane Penha, integrante do movimento “Direito para quem?” e uma das participantes da campanha “Caveirão não”. ”
O próximo passo é algum velho hippie internacional proclamar seu apoio ao movimento e cancelar alguma vinda ao Brasil em protesto.