VIm falar de música pop, acabei falando de liberdade

As músicas-chiclete “Mamma Maria” e “Namorinho de Portão” descrevem um mesmo fenômeno social, sob visões opostas, e evidenciam algo valioso.

Essas duas músicas fizeram sucesso por aqui em décadas distintas do final e virada do século: “Mamma Maria” (Grafite, 1983) era presença frequente no programa da Xuxa, e “Namorinho de Portão” (Penélope/Erika Martins, 2000) foi trilha da novelinha adolescente Malhação.

Ambas são regravações: Mamma Maria é uma versão brasileira de uma canção romântica que fez sucesso na Itália em 1982, enquanto Namorinho de Portão é regravação de uma faixa original de Tom Zé, de 1968.


Capa do CD single de Namorinho de Portão, mostrando a banda em um cenário de piquenique.
Capa do CD single de Namorinho de Portão

E as duas falam de uma mesma experiência: o namoro adolescente fiscalizado pela família – a partir das perspectivas de uma filha e de quem se aventura ao papel de pretendente, nos papeis de gênero daquela época.

Vejamos os trechos centrais das letras, começando com a transcontinental Mamma Maria, em que a filha explica por que a ~voltinha não vai rolar, já que o irmão dela precisaria ir junto:

Se ele não for, ela me segue
Na maior bronca chega de leve

Ela não deixa eu sair assim
Manda a vizinha atrás de mim

Periga mesmo pintar na transa
Lembrando a hora do rango na mesa

Já em Namorinho de Portão vemos o enfoque oposto, em que o Tom Zé de 1968, como pretendente a genro, explicava que não ia insistir na empreitada:

Namorinho de portão
Biscoito, café

Meu priminho, meu irmão
Conheço essa onda

Vou saltar da canoa
Já vi, já sei que a maré não é boa
É filme censurado e o quarteirão
Não vai ter outra distração

Esse paralelo fica mais curioso e divertido quando observamos que a regravação na virada do século, foi da Penélope – uma banda “de menina”.

Colocando no contexto histórico

Essa inversão de gênero entre o autor/intérprete Tom Zé em 1968, e a intérprete Erika Martins em 2000, mostra o quanto os costumes avançaram nesse período, mas há mais detalhes a observar.

Em 1968, Tom Zé gravou “Namorinho de Portão” às vésperas do AI-5, que é do finalzinho daquele ano.

A repressão era a regra em nosso país, e a ditadura fazia o possível para suprimir as notícias sobre a revolução que se espalhava pelo mundo a partir das barricadas dos estudantes em Paris, mudando costumes e hábitos, e cancelando velhas restrições.

Já em 2000, o milênio acabava de zerar o placar, e a banda Penélope brilhava em cenários bem mais liberais: a novelinha Malhação e todo o contexto da geração MTV Brasil.

A liberdade precisa ser valorizada em todas as formas em que a identificamos - até no pop-chiclete adolescente.

Porém o ponto que mais me chama a atenção, e que me motivou a escrever todos estes parágrafos, é o papel que o sucesso de Mamma Maria representa nessa cronologia: a banda Grafite brilhou no finalzinho da ditadura, já na metade final do governo Figueiredo, o último dos generais da ditadura militar.


Capa do single de Mamma Maria, com foto dos integrantes da banda,
Capa do single de Mamma Maria

Ou seja, mesmo na véspera do “liberou geral” da segunda metade daquela década, a cultura popular ainda reproduzia –pelas mãos da Grafite, no canhão de mídia da Xuxa – o mesmo cenário de repressão que Tom Zé cantou 15 anos antes, antes até do AI-5.

Esse relógio que ficou tanto tempo parado precisava andar.

São coisas pequenas, detalhes desimportantes, mas ao mesmo tempo são símbolos da liberdade, um valor que precisa ser identificado e celebrado em todas as formas em que pode ser percebido – até mesmo nas musiquinhas chiclete feitas para vender fita K7 e CD pra adolescentes.


Como ponto colateral sobre a mesma pauta, vale observar que “I Think We're Alone Now”, sucesso da teen californiana Tiffanny em 1984 (também uma cover dançante de uma balada romântica dos anos 1960), fala exatamente sobre a mesma pauta: a cultura de repressão familiar aos relacionamentos na adolescência.


Foto de fita K7 com o título Tiffanny e imagem do rosto da cantora
K7 da fundamental Tiffanny, então com 16 anos, que trazia seu único sucesso como última música do lado 2.

Mas a reação da protagonista da letra que a Tiffanny apresentou pros adolescentes da década de 1980, não era nenhuma das duas que vimos acima: ela fugia escondida.

Como tantas gerações anteriores fizeram, e as futuras farão.

Adaptadores USB angulares para fazer sumir os cabos

Esses adaptadores USB que formam um joelho de 90º são sensacionais pra fazer sumir aqueles cabos incômodos que ficam visíveis abaixo ou na lateral de equipamentos e telas.

Eu aproveitei uma promoção e comprei uma meia dúzia. Já usei todos, e agora tem bem menos cabeamento aparente na casa – apesar dos esforços dos fabricantes de telas e acessórios, que parece que curtem excessos, e se esforçam para deixar visíveis os penduricalhos das conexões.


Dois adaptadores USB C em ângulo, sendo um em formato de joelho (90º) e o outro em U (180%)
Dois adaptadores USB C em ângulo, sendo um em formato de joelho (90º) e o outro em U (180%)

Tem também uns adaptadores 180º (em forma de U), eu usei num monitor, nota 10.

A foto acima mostra esses dois tipos – mas há outros, com outros padrões (HDMI, USB 2.1, etc.), conversão, angulação lateral, flexão e mais.

Esse link é meramente ilustrativo (mas comprei um igual e funcionou bem), para transmitir sinal de vídeo em 4K num cabo USB C.

Lembre-se: Minimalismo também pode ser a riqueza da abundância frugal

O decrescimento (em inglês, degrowth) defende a redução planejada da produção e do consumo, visando o bem-estar e a sustentabilidade.

Praticadas com consciência, essas ideias viram propostas de política social que demanda planejamento e equilíbrio.

E mesmo quando implementadas apenas com foco na vida pessoal – por exemplo, adotando o minimalismo para organização doméstica ou financeira –, trazem frutos positivos para quem pratica e, cumulativamente, para a sociedade.


foto de um vaso transparente com uma pequena folhagem, sobre fundo branco

Para quem tem uma abordagem mais focada em consumo e acumulação, a reação típica ao minimalismo e ao decrescimento é de uma rejeição automática motivada por desejos, memórias ou ideais acostumados, ao longo de toda uma vida, a associarem esse tema a alguns conceitos realmente indesejados1, como escassez, empobrecimento, restrições, contenção, desconforto e até mesmo recessão.

A questão central, como de costume, é de ponto de equilíbrio: como balancear as intenções, as disponibilidades e as demandas?

Como equilibrar intenções, disponibilidades e demandas?

Observando as pessoas que praticam com sucesso o minimalismo no âmbito pessoal e familiar, é frequente notar que os resultados incluem os ganhos da simplicidade e do espaço disponível, e que esse hábito frequentemente vem associado a experiências em que há abundância, prosperidade e riqueza.

Indo um pouco mais a fundo, é necessário sublinhar que os termos “prosperidade”, “riqueza” e “abundância” nem sempre se referiram a elevados níveis de consumo e acumulação. A sensação mais geral de desenvolvimento e satisfação ainda acontece (em parte, para muitos), em âmbitos subjetivos: moralidade, liberdade, tempo, organização, suficiência, resiliência e mais.

Pela via oposta, é fácil perceber quantos indivíduos conectados diretamente à ciranda do mercado estão constantemente insatisfeitos com o que têm e com o que consomem. Muitos também não conseguem alcançar os já mencionados aspectos imateriais da abundância, o que – no acumulado das experiências individuais – contribui para elevados níveis de problemas de saúde mental e de solidão, por exemplo.

A alternativa funciona

É aí que entram as ideias de abundância frugal, como o minimalismo e o decrescimento: elas dissociam o ritmo da vida das pessoas, em relação ao ciclo contínuo do mercado, que ano após ano quer nos vender de novo a moda, o smartphone e o carro mais recentes.

Alcançar objetivos dessa categoria, para quem se sente conectado aos estímulos do consumo, raramente é fácil. Mas considerar essa intenção como desejável, positiva, e até mesmo confortável, é um requisito inicial que remove boa parte dos obstáculos de natureza interma.

Ao associar objetivamente o decrescimento à abundância, o projeto pessoal de alcançá-lo se torna mais palatável, desejável e, em última análise, alcançável.

 
  1.  Mesmo quando inevitáveis ou fáticos…

A farsa da “cultura organizacional” em ambientes tóxicos

Vão pegar o pior nível de comportamento que a liderança topa deixar acontecer, e chamar de “cultura” para mascarar a falta de consequências.

Chamar de “cultura organizacional” as dinâmicas abusivas estabelecidas serve como uma cortina de fumaça para disfarçar as práticas e invalidar as reações contrárias, colocando à margem os prejudicados.


Foto de uma pessoa frustrada no ambiente de trabalho

Já vivi essa situação mais de uma vez, anos atrás – é um jogo difícil de virar, mas não é impossível.


* Claro que também existe cultura organizacional “de verdade”, sem ser disfarce. Mas quando o ambiente adoece, o conceito é sequestrado e usado para fomentar a continuidade das relações tóxicas existentes.

Não sei se otimismo ou pessimismo

Pelas minhas contas a gente já tá naquele nível de bagunça geopolítica que teve no século passado entre as décadas de 1950 e o começo da de 1980 (da guerra da coreia ao primeiro mandato do reagan, mais ou menos), com as várias potências metidas nas mais variadas invasões de soberania em todos os continentes e se esforçando pouco pra desmentir ou dar um verniz de normalidade.

No século passado isso era um substituto de guerra mundial. Será que neste século também será?

Ou será um prelúdio?

Uma vida interessante requer tempo desperdiçado

Claro que existe lugar para eficiência e priorização, mas esse lugar não abarca a nossa vida inteira.

Uma vida interessante requer experiências que fazem progredir, e uma existência criativa também inclui experiências não planejadas, sem garantia de sucesso ou aprendizado.

Desvios, fricção, pausas e novas tentativas. Alguns dos momentos mais importantes e valiosos da vida acontecem enquanto estamos sendo ineficientes.

Como gerenciar suas pendências com menos esforço

Quem consegue, geralmente adota um combo personalizado a partir dessas dicas:

🛠️ Focar mais em hábitos (captura, revisão, etc.) do que em ferramentas

🏹 Manter tudo simples, flexível e integrado

➗ Dividir projetos em tarefas menores, com uma ação por vez

🛋️ Saber quando repousar e desligar

💯 Registrar tudo, sem deixar nada dependendo da memória

🎯 Priorizar de acordo com os objetivos

Sobre convites, respostas e tempos

Meu status default é na minha paz. Se alguém me convida pra ir pra algum outro status (geralmente em outro lugar):

🟡 "Precisamos marcar de fazer tal coisa" – provavelmente concordarei de forma sincera e espontânea, e não voltarei a pensar no assunto

🔴 "Vamos hoje fazer tal coisa?" – não, muito em cima.

🟢 "Estou no lugar tal, quer vir?" – é possível que eu vá, ou que diga que não.

🩵 "Vamos no dia tal, lugar tal?" – é possível que eu vá, ou que diga que não.

(não é recado pra ninguém)

As respostas que sufocam iniciativas espontâneas de colaboração

Uma coisa típica de cultura corporativa disfuncional, e que conduz a pessoas que se viram bem acabarem se comunicando menos, é quando alguém fala "glr eu vou resolver o problema _____ na terça à tarde, quem tiver o mesmo problema e quiser participar, é só confirmar até segunda 17h"

aí chegam 3 respostas:
– só posso se for na quarta
– eu acho que isso tinha que ser de manhã
– posso confirmar no dia?

Impor condições a quem ofereceu apoio também é um tipo de desvalorização, que – caso aconteça ao seu redor – precisa ser percebido, prevenido e combatido, para que as pessoas com iniciativa não desistam de compartilhar espontaneamente a sua capacidade resolutiva.

Rigidez cognitiva no autismo: como funciona pra mim

Essa imagem exprime muito bem como funciona, em mim, a rigidez cogniva que é parte do meu autismo.


Foto mostra, ao longe, uma pessoa de caiaque sobre um lago cuja superfície está congelada. Atrás dela há o rastro do caiaque e a marca dos pontos em que as remadas romperam a superfície de gelo.
Uma pessoa de caiaque sobre um lago cuja superfície está congelada. Atrás dela há o rastro do caiaque e a marca dos pontos em que as remadas romperam a superfície de gelo.

Se tá na hora de andar de caiaque, tá na hora de andar de caiaque, e não importa se o lago congelou, ou o que a Britney anda fazendo na hípica.


(eu postei bem mais detalhes sobre dois exemplos de como a rigidez cognitiva se manifesta em mim, anteriormente)