Estica, um app para fazer unroll de threads do Mastodon

Está no ar o Estica, ferramenta de expansão (unroll) de threads do Mastodon e Fediverso, com recursos de formatação visual e exportação em Markdown.

O funcionamento é simples: você preenche a URL de um post do Fediverso, e o Estica vai carregar esse post e suas respostas visíveis, exibindo-as na forma de uma thread bem formatada, com a íntegra dos posts, imagens e cards de anexos, prontinho pra gerar um documento em PDF ou copiar em Markdown para o Obsidian ou outro software em que você faça o seu arquivamento.


Janela do aplicativo Estica, mostrando o primeiro post de uma thread expandida, e a interface de operação
Tela do Estica, mostrando o início de uma thread já expandida, e os botões para exportá-la em Markdown ou PDF, ou gerar um link que permite visitá-la diretamente.

Depois de esticar uma thread, ficam disponíveis 3 botões de ação: copiá-la em formato Markdown (prontinho pra colar no Obsidian), copiar uma URL para acesso direto a essa expansão1 (como este exemplo real), ou exportar o conteúdo como PDF.

Eu uso muito os expansores de threads, porque elas fornecem material de grande qualidade pras minhas referências arquivadas no Obsidian.

Eu tenho demanda frequente de esticar (ou desenrolar/unroll) threads do Fediverso, porque arquivo no Obsidian os meus posts (e threads) que possam servir para referência futura, já que a experiência demonstra que a existência e integridade das threads na web é efêmera, e o interesse em seu conteúdo é de longa vida.

Para o meu uso prático, as 3 opções (markdown, link e PDF) bastariam, mas eu aproveitei que estava com a mão na massa e incluí mais uma funcionalidade: formatar visualmente as threads, para uso em ilustrações e screenshots.


Três janelas sobrepostas do Estica, todas mostrando uma mesma thread, com estilos visuais diferentes
Uma amostra de 3 temas visuais de formatação das threads do Fediverso no Estica: Clássico, Orkut e Quadrinhos

Assim, incluí 22 estilos visuais, que podem ser selecionados à vontade, antes ou depois de fazer a expansão da thread. Tem para todos os gostos: sóbrios, coloridos, de alto contraste, alta legibilidade, retrô, imitando o fórum do orkut, imitando o whatsapp, história em quadrinhos e mais.

Mas por que?

Há mais de um ano eu vinha usando pra isso uma rotina em javascript adaptada, mas os limites dela estavam me incomodando cada vez mais frequentemente, então fiz o que se faz nessas horas: reinventei a roda, agora com suporte aos recursos que me faltavam (especialmente no tratamento de imagens, alt text e cards descrevendo links externos/anexos).

O resultado é o Estica, que eu criei pra meu uso, mas está disponível para quem mais tiver demanda de expandir threads do Fediverso.

Ele usa o modelo que eu não curto, que é webapp javascript com um framework empacotado - mas podia ser bem pior, porque nesse sentido eu usei só o Tailwind, pra facilitar na questão da estilização.

Sobre privacidade e autoria dos posts

O Estica não armazena dados de ninguém, em servidor nenhum. Ele baixa e processa diretamente no navegador do usuário os dados do post ou da thread que você apontar, sempre fazendo uso da API pública do Mastodon em sua versão sem autenticação, para garantir que só terá acesso a conteúdos disponíveis sem qualquer restrição de natureza geral.

Mesmo assim, não custa sublinhar: assim como acontece quando você visualiza os posts em um cliente de uso geral, todo o conteúdo dos posts exibidos continua a pertencer aos seus respectivos autores.

Não cometa a falha que eu já cometi e hoje me arrependo, que é o erro de compartilhar as threads expandidas sem antes verificar o consentimento de todos os autores dos seus posts - seja expresso nos termos de uso que ele adotou, ou consultando-os diretamente.


O Estica está no ar e à disposição dos interessados. Seu código-fonte também está integralmente disponível para consulta no mesmo arquivo HTML da página, para quem quiser conhecer como funciona.

 
  1.  Para preservar a privacidade dos autores dos conteúdos, a expansão não é armazenada, e será regerada a cada acesso à URL.

Zen, o imperador, e o caranguejo perfeito

Um dia o imperador acordou sentindo a ânsia de ter a mais perfeita pintura de um caranguejo. Procurou o mais talentoso e renomado artista de toda a Ásia, e lhe ofereceu riqueza, um palacete, servos, e os melhores materiais artísticos, para que ele pintasse esse quadro.

Anos passaram, e nada de notícias do artista. Até que o imperador cansou de esperar: foi até a casa e, já ao entrar, antes mesmo de ver o pintor, notou que todas as telas espalhadas pela casa estavam em branco.

Tomado pela ira, o imperador concluiu – corretamente – que o pintor não tinha feito esboço nenhum, não havia praticado, passou anos sem colocar em prática a ideia para a qual havia sido escolhido.

Nesse momento, entra na sala o artista. Com profundo respeito, reverencia o imperador e, ato contínuo, pega um pincel ao lado da maior das telas e, com um movimento rápido, desenha nela um caranguejo.


Pintura em estilo japonês mostrando 2 caranguejos, em cores preta a vermelha.
Caranguejos. Katsushika Hokusai, 1808. Nanquim e tinta colorida sobre papel.

Naquele fugaz minuto, o artista havia pintado o caranguejo perfeito, reconheceu imediatamente, o embasbacado imperador.

O artista, expressando sua gratidão pelo longo e generoso patrocínio recebido, retribui com uma explicação que iluminou o imperador, mais do que a perfeição da pintura: ele não tinha como pintar antes, pois precisava que o caranguejo existisse nele primeiro, já que a arte é um ato de “não-ação”, e a perfeição só vem onde há lugar para a naturalidade e espontaneidade.

Pelo esforço construímos produtos, mas o sublime demanda outros caminhos.


(eu não lembro onde eu conheci esse conto zen originalmente, mas sei que foi na década de 1980, porque lembro da primeira vez que eu o usei numa situação prática na vida, e foi ainda na adolescência)

Uma árvore genealógica feita com caneta preta, por 2 séculos, em 4 países

Minha origem familiar é um caldo bem misturado (tive bisavó que nasceu escravizada, bisavó caiçara filha ilegítima de herdeiro suiço, bisavô que nasceu na Alemanha e veio pra cá às vésperas da 1ª Guerra Mundial, bisavô que prestou apoio logístico especializado a quem veio primeiro demarcar as terras onde mais tarde foi fundada Joinville etc.) e a família toda curte a historiografia disso.

Hoje, a pedido da minha irmã do meio, a minha tia compartilhou imagens e uma tradução para o português, feita por ela mesma, das anotações familiares feitas a partir de 1886, com caneta, em letras cursivas semigóticas, nas páginas iniciais de uma bíblia protestante que ela como filha mais velha herdou da geração anterior.


Foto do cabeçalho da primeira página das anotações numa bíblia luterana do século 19. Texto em alemão, escrita cursiva, em tinta preta.
Cabeçalho da primeira página das anotações genealógicas da família, numa bíblia luterana do século 19. Texto em alemão, escrita cursiva, em tinta preta.

É uma árvore genealógica mantida por duas ou 3 gerações de meus familiares, sucessivamente. Conta a história dos nascimentos (e outras efemérides: quem lutou em guerras, quem teve filho fora da nota fiscal etc.) do ramo do meu avô materno, num período de cerca de 70 anos compreendendo séculos XIX e XX, e que começa algumas décadas antes do início das anotações.

Massa demais.

Não são informações novas: esse período deve ter sido tão traumático para eles – que passaram pelos horrores da 1ª Guerra Mundial e uma sequência de migrações (que hoje chamaríamos de fluxo de refugiados) entre regiões que hoje são da Alemanha, Polônia e Romênia antes de virem pras Américas definitivamente em 1924 – que essa memória foi passada pras gerações futuras de várias outras formas também, inclusive com muita riqueza de histórias contadas tomando um café ou um chopp.

Um detalhe interessante é que o meu avô materno deu continuidade a essas anotações, mas aí em um caderno à parte – e esse caderno está aqui em casa, pronto para um dia virar um estudo que quero aprofundar, e que começa no território onde hoje fica a minha cidade natal, Joinville – mas meses antes da chegada oficial dos primeiros europeus para fundar a povoação da colônia.


Uma nota de rodapé, solta, mas interessante: descobrimos hoje que a família da amiga historiadora com quem há mais de ano venho conversando sobre essas minhas intenções, e que com sorte e vento a favor um dia vai ser a minha orientadora nesse projeto, está mencionada nominalmente naqueles registros da bíblia da minha família! E é uma conexão dupla, porque tanto pode ter sido na passagem pela (hoje) Polônia, quanto nas chegadas ao norte de Santa Catarina.

IA e o mercado de gerar entregas que quem recebe não queria e quem fez não estava a fim

Eu já escrevi antes, e hoje repito: acredito sinceramente que o caso de uso mais generalizado das tecnologias de IA hoje populares (LLM, GPTs, etc.) é a produção de materiais que quem pediu não deveria pedir, quem vai receber não vai valorizar, e quem precisa entregar não deseja elaborar.


Foto de um brinquedo de lata, movido a corda
Um robô de lata, brinquedo japonês da década de 1940

O custo social e pra sustentabilidade fica AINDA MAIS triste quando se considera isso, afinal pois o ideal seria não pedirem, não ser recebido, e não ser elaborado: uma definição completa de esforço que não gera valor nem contribui para o resultado.

Ou, quando muito, se refere a algo que é feito por questões de maquiar imagem dos envolvidos – como nas expressões "pra inglês ver", "jogar pra torcida", e similares.

Mas é isso.


FAQ:

1. O texto acima é uma defesa do uso de LLM?
R. Não

2. O texto acima indica que esse é o único caso de uso de LLM?
R. Não

3. O texto acima indica que esse é o principal caso de uso de LLM?
R. Não

Nova versão do Axe, o meu CMS estático que está no ar desde 2013

Axe é o meu CMS estático open source, especializado em blogs, que dispensa bancos de dados e recursos na nuvem, e mantém sites que carregam bem até em planos baratos de provedores brasileiros.

Eu criei o Axe em 2012, logo depois de perder definitivamente a paciência com a complexidade crescente do WordPress (após já ter passado pelo mesmo ciclo com o Drupal, 5 anos antes).

O Axe – que publicou este post que você está lendo – é um sistema gerenciador de conteúdo, em PHP modo shell que, a partir de arquivos contendo apenas o título e o corpo do post, em formato texto ou HTML, gera e atualiza toda a estrutura típica de um blog: índices, páginas de posts individuais, feed, tags, sitemap, etc.

Além de ser simples1 na operação, o Axe é da família dos CMS estáticos, o que significa que ele só processa os posts no momento das inclusões e alterações – na hora de servir a página, ele dispensa ter PHP, Javascript2, nuvem etc., porque a página é gerada como um HTML estático.

Uma oportunidade inesperada

Na semana passada, um pedido de um colega (até então) desconhecido colocou em marcha os acontecimentos que conduziram à primeira atualização em versão pública do Axe desde 2013.

Eu uso o Axe literalmente todos os dias, portanto não foi desuso a causa desse tempo todo sem atualização: a questão é que esse CMS foi desenvolvido a partir de um mapeamento das minhas demandas pessoais de publicação de blogs, e já em 2013 ele ficou completo em termos de recursos.

Assim, a partir de 2013, com o Axe já rodando em todos os meus blogs e mais alguns sites, as únicas alterações que eu fiz na base de código dele foram pra manter a compatibilidade com as mudanças de sintaxe do PHP em modo shell (entre o PHP 5 e o PHP 8, basicamente) – que nem foram muitas.

O inesperado (considerando o tempo que faz desde a última vez que isso aconteceu) contato de um usuário interessado em usar o Axe me fez perceber que a versão disponível para download ainda era compatível com o PHP 5, e daria erro em provedores modernos. A solução foi simples: portar para a versão pública os ajustes que fiz nesse período (meia dúzia de linhas, se tanto), e gerar um novo pacote.


print da conversa on-line do link acima, entre usuário interessado e o autor do Axe, falando sobre empacotar uma versão atualizada
A conversa com o Pablo, que motivou a atualização do Axe em 2026

Literalmente, demorei mais tempo escrevendo e publicando o post de anúncio da atualização do que atualizando o pacote – que o próprio usuário solicitante validou para mim, em uma instalação bem-sucedida, logo depois.

Aproveitei o mesmo embalo para colocar no ar uma página centralizando o download e a documentação do Axe, para que futuros novos interessados possam fazer as coisas na ordem que preferirem, sem precisar olhar todo o histórico de publicações.

Vale destacar: as atividades de operação do Axe ocorrem via linha de comando, no Terminal, portanto ele exige que você tenha acesso shell (SSH ou similar) ao seu servidor de hospedagem e saiba usá-lo.

O Axe também exige que o PHP esteja disponível na linha de comando, embora dispense a ativação do mod_php no servidor web, já que o interpretador PHP é usado apenas em modo shell, no momento da publicação ou gestão do conteúdo – e não para servir as páginas.

Tchau, Github

Também aproveitei o mesmo embalo e descontinuei o repositório do Axe no Github. O Github em 2026 não é mais o que era em 2013 (para dizer o mínimo), e o meu interesse em desenvolvimento colaborativo do Axe é baixo ou inexistente, pois eu o considero completo.

O código continua aberto (licença Apache 2.0) e disponível para quem quiser conhecer e experimentar.

 
  1.  Que, neste caso, não é sinônimo de fácil, embora o Axe nem seja dos mais difíceis também.

  2.  A não ser que você inclua essa demanda na sua própria personalização, layout etc.

Esse termômetro conectado à Alexa funciona 9 meses com duas pilhas AAA

Sensor conectado mede continuamente a temperatura e umidade, é fácil de conectar à Alexa, e funciona 9 meses com um par de pilhas AAA.

Meu caso de uso pra termômetros dentro de casa é bem específico e prático: uma das características do meu autismo é não ter a reação de me agasalhar ao sentir frio, então sou capaz de passar horas seguidas em desconforto por não notar que é hora de colocar um casaquinho ou pegar mais um cobertor.

Desde 2025, o arsenal de termômetros da minha casa (que já tinha vários modelos analógicos e digitais) ganhou dois complementos conectados à Internet, na forma de sensores de temperatura Tuya1, integráveis à Alexa e outras arquiteturas de automação.


Foto comercial de uma caixa e 2 sensores eletrônicos em formato retangular
Um par de sensores de temperatura e umidade com suporte a WiFi

Eu coloquei um no escritório e o outro no quarto, e o uso que eu faço deles é o mais básico possível: poder perguntar “Alexa, qual é a temperatura na escrivaninha?” (ou na cabeceira), e receber instantaneamente a resposta audível, sem tirar os olhos do que estou fazendo.

Vale sublinhar que a Alexa e similares sabem responder temperaturas sem o sensor, mas aí informam a temperatura externa da região2 – que aqui no meu caso, especialmente no outono e inverno, tende a estar pelo menos uns 10 graus abaixo da temperatura interna, e é um dado que não resolve a minha demanda específica.

Esses sensores também incluem o recurso de medição de umidade, e podem ser usados na configuração de ações automatizadas – por exemplo, ligar um climatizador, ou enviar uma mensagem a alguém, quando a temperatura ou umidade do ambiente atingirem determinados níveis. Não é algo que eu tenha demanda, e se eu fosse fazer algo assim, priorizaria evitar os riscos associados.

Para mim, entretanto, o uso no modo mais básico já é suficiente para o objetivo de não mais acordar de madrugada tremendo de frio, nem passar o dia desconfortável por não perceber que deveria colocar uma blusa de manga comprida.

Ciclo de carga da bateria: 9 meses

Cada um dos sensores funciona com duas pilhas AAA. Eu os ativei3 em agosto de 2025, com pilhas Duracell, e na manhã de hoje, pela primeira vez, um deles começou a piscar seu led (que normalmente fica apagado), avisando que estava quase sem energia.

Era o fim da vida útil do primeiro par de pilhas – troquei por um par novo, e tudo normalizou. Já criei um lembrete no Todoist para a cada 8 meses trocar de novo, e assim reduzir o risco de alguma pilha vazar dentro do aparelho.

 
  1.  Esse link é ilustrativo – eu comprei no AliExpress, mas em outro link, que não está mais no ar.

  2.  Exceto alguns modelos bem específicos que incluem sensor de temperatura local, que geralmente são mais caros e anunciam em destaque essa característica.

  3.  Usando os apps da Tuya e da Amazon, e seguindo as instruções que os acompanharam.

O estojo perfeito pro teclado portátil ideal

É subnicho de um subnicho, eu sei… mas quem aderiu aos tecladinhos TH40 vai gostar de saber que existe um estojo que o abriga perfeitamente.

O TH40 é um teclado praticamente mágico para levar na mochila, porque ele é bem menor que os usuais, mas tem teclas de tamanho normal, super confortáveis de digitar.

Para fazer caber, ele remove as duas fileiras superiores (teclas de função e números), cujos símbolos passam a precisar ser acionados por meio de combos da tecla Fn, estrategicamente posicionada entre as duas metades da barra de espaços convenientemente bipartida.

Eu já contei os detalhes sobre ele em um post anterior aqui no blog, mas hoje tenho um complemento interessante: embora jamais tenha encontrado um estojo feito especialmente pra ele, descobri que os estojos feitos para o multímetro Fluke T5-1000/T5-600 tem o tamanho exato pra abrigá-lo, e ainda sobra espaço pra umas canetas e acessórios.

A foto abaixo é do meu teclado, no meu estojo, de agora:


Foto de um teclado em layout 40%, acondicionado em um estojo rígido, com zíper, com um bolso no qual pode ser visto também um estojo de canetas.
Teclado TH40 acondicionado em um estojo feito para um multímetro Fluke T5-1000.

Comprei o estojo no Ali Express, chegou em menos de 10 dias, e há algumas semanas já está em uso contínuo pra abrigar o teclado, que eu comprei em 2025 e também está em uso contínuo desde então1.

Observação importante: aquele estojinho de canetas e material de anotações não faz parte, mas cabe perfeitamente no bolso telado pra acessórios, então é um bom bônus. Ele é de nylon, tem 3 compartimentos pra canetas, dois bolsos abertos e um com zíper, e eu comprei no AliExpress também.

Mais de uma função em cada teclinha: como funciona?

O TH40 é mapeável, ou seja, o usuário configura (num aplicativo via web) quais símbolos ele quer ter em cada tecla e em cada combo.

Eu uso um mapa de teclado que já aproveitei em outros teclados com layout compacto antes, e com o qual já estou acostumado e, pra facilitar, desenhei e mandei imprimir na Yuzu Keycaps um conjunto de teclinhas personalizadas que indicam qual a função secundária de cada tecla, como você pode ver no detalhe:


Foto mais próxima do teclado, permitindo ver que as teclas têm códigos secundários impressos - por exemplo, a tecla Q também tem os símbolos 1 e !
Teclado TH40 no estojo, visto de perto - note que várias teclas têm símbolos secundários impressos nelas.

Escolher a função secundária de cada tecla não tem regra, mas eu defini um padrão pessoal que adoto sempre: os números ficam na fileira de cima, os acentos no canto inferior esquerdo, pontuação e lógica ficam no canto inferior direito, e a fileira do meio fica reservada aos utilitários e complementos.


Uma bandeja plástica contendo 40 teclas compatíveis com teclados mecânicos.
Foto do conjunto de teclinhas que eu desenhei no site da Yuzu Keycaps, que imprimiu e me enviou, do outro lado do mundo

E há também os combos terciários, com uma tecla modificadora adicional além da Fn, que eu uso para, por exemplo, acessar as funções multimídia e as teclas F1 a F12, que uso bem mais raramente.

Para ilustrar, esse é o mapa das funções secundárias das minhas teclas, gerado no utilitário on-line de configuração:


Print de uma tela do utilitário de configuração
Print de uma tela do utilitário de configuração, mostrando os combos secundários definidos para o meu TH40.

Note que dei um jeito de encaixar comandos do próprio teclado (conexões bluetooth, iluminação das teclas, consulta de nível da bateria) e ainda sobrou espaço para repetir em lugares bem convenientes alguns símbolos que na rua eu uso com mais frequência, como arroba e hashtag.

Para saber mais

Eu gosto tanto do TH40, que já escrevi sobre ele várias vezes, e hoje certamente não será a última. Vamos aos links:

Os links para lojas e produtos, que constam neste post, são apenas informativos, e não incluem códigos de afiliado ou similares.

 
  1.  Mas só fora do escritório, porque eu gosto dele pra textos, que eu digito pelas reuniões da vida, mas não pra programação e planilhas, que precisam de muito mais números e símbolos, e são parte da minha rotina no escritório.

Vim falar de música pop, acabei falando de liberdade

As músicas-chiclete “Mamma Maria” e “Namorinho de Portão” descrevem um mesmo fenômeno social, sob visões opostas, e evidenciam algo valioso.

Essas duas músicas fizeram sucesso por aqui em décadas distintas do final e virada do século: “Mamma Maria” (Grafite, 1983) era presença frequente no programa da Xuxa, e “Namorinho de Portão” (Penélope/Erika Martins, 2000) foi trilha da novelinha adolescente Malhação.

Ambas são regravações: Mamma Maria é uma versão brasileira de uma canção romântica que fez sucesso na Itália em 1982, enquanto Namorinho de Portão é regravação de uma faixa original de Tom Zé, de 1968.


Capa do CD single de Namorinho de Portão, mostrando a banda em um cenário de piquenique.
Capa do CD single de Namorinho de Portão

E as duas falam de uma mesma experiência: o namoro adolescente fiscalizado pela família – a partir das perspectivas de uma filha e de quem se aventura ao papel de pretendente, nos papeis de gênero daquela época.

Vejamos os trechos centrais das letras, começando com a transcontinental Mamma Maria, em que a filha explica por que a ~voltinha não vai rolar, já que o irmão dela precisaria ir junto:

Se ele não for, ela me segue
Na maior bronca chega de leve

Ela não deixa eu sair assim
Manda a vizinha atrás de mim

Periga mesmo pintar na transa
Lembrando a hora do rango na mesa

Já em Namorinho de Portão vemos o enfoque oposto, em que o Tom Zé de 1968, como pretendente a genro, explicava que não ia insistir na empreitada:

Namorinho de portão
Biscoito, café

Meu priminho, meu irmão
Conheço essa onda

Vou saltar da canoa
Já vi, já sei que a maré não é boa
É filme censurado e o quarteirão
Não vai ter outra distração

Esse paralelo fica mais curioso e divertido quando observamos que a regravação na virada do século, foi da Penélope – uma banda “de menina”.

Colocando no contexto histórico

Essa inversão de gênero entre o autor/intérprete Tom Zé em 1968, e a intérprete Erika Martins em 2000, mostra o quanto os costumes avançaram nesse período, mas há mais detalhes a observar.

Em 1968, Tom Zé gravou “Namorinho de Portão” às vésperas do AI-5, que é do finalzinho daquele ano.

A repressão era a regra em nosso país, e a ditadura fazia o possível para suprimir as notícias sobre a revolução que se espalhava pelo mundo a partir das barricadas dos estudantes em Paris, mudando costumes e hábitos, e cancelando velhas restrições.

Já em 2000, o milênio acabava de zerar o placar, e a banda Penélope brilhava em cenários bem mais liberais: a novelinha Malhação e todo o contexto da geração MTV Brasil.

A liberdade precisa ser valorizada em todas as formas em que a identificamos - até no pop-chiclete adolescente.

Porém o ponto que mais me chama a atenção, e que me motivou a escrever todos estes parágrafos, é o papel que o sucesso de Mamma Maria representa nessa cronologia: a banda Grafite brilhou no finalzinho da ditadura, já na metade final do governo Figueiredo, o último dos generais da ditadura militar.


Capa do single de Mamma Maria, com foto dos integrantes da banda,
Capa do single de Mamma Maria

Ou seja, mesmo na véspera do “liberou geral” da segunda metade daquela década, a cultura popular ainda reproduzia –pelas mãos da Grafite, no canhão de mídia da Xuxa – o mesmo cenário de repressão que Tom Zé cantou 15 anos antes, antes até do AI-5.

Esse relógio que ficou tanto tempo parado precisava andar.

São coisas pequenas, detalhes desimportantes, mas ao mesmo tempo são símbolos da liberdade, um valor que precisa ser identificado e celebrado em todas as formas em que pode ser percebido – até mesmo nas musiquinhas chiclete feitas para vender fita K7 e CD pra adolescentes.


Como ponto colateral sobre a mesma pauta, vale observar que “I Think We're Alone Now”, sucesso da teen californiana Tiffanny em 1984 (também uma cover dançante de uma balada romântica dos anos 1960), fala exatamente sobre a mesma pauta: a cultura de repressão familiar aos relacionamentos na adolescência.


Foto de fita K7 com o título Tiffanny e imagem do rosto da cantora
K7 da fundamental Tiffanny, então com 16 anos, que trazia seu único sucesso como última música do lado 2.

Mas a reação da protagonista da letra que a Tiffanny apresentou pros adolescentes da década de 1980, não era nenhuma das duas que vimos acima: ela fugia escondida.

Como tantas gerações anteriores fizeram, e as futuras farão.

Adaptadores USB angulares para fazer sumir os cabos

Esses adaptadores USB que formam um joelho de 90º são sensacionais pra fazer sumir aqueles cabos incômodos que ficam visíveis abaixo ou na lateral de equipamentos e telas.

Eu aproveitei uma promoção e comprei uma meia dúzia. Já usei todos, e agora tem bem menos cabeamento aparente na casa – apesar dos esforços dos fabricantes de telas e acessórios, que parece que curtem excessos, e se esforçam para deixar visíveis os penduricalhos das conexões.


Dois adaptadores USB C em ângulo, sendo um em formato de joelho (90º) e o outro em U (180%)
Dois adaptadores USB C em ângulo, sendo um em formato de joelho (90º) e o outro em U (180%)

Tem também uns adaptadores 180º (em forma de U), eu usei num monitor, nota 10.

A foto acima mostra esses dois tipos – mas há outros, com outros padrões (HDMI, USB 2.1, etc.), conversão, angulação lateral, flexão e mais.

Esse link é meramente ilustrativo (mas comprei um igual e funcionou bem), para transmitir sinal de vídeo em 4K num cabo USB C.

Lembre-se: Minimalismo também pode ser a riqueza da abundância frugal

O decrescimento (em inglês, degrowth) defende a redução planejada da produção e do consumo, visando o bem-estar e a sustentabilidade.

Praticadas com consciência, essas ideias viram propostas de política social que demanda planejamento e equilíbrio.

E mesmo quando implementadas apenas com foco na vida pessoal – por exemplo, adotando o minimalismo para organização doméstica ou financeira –, trazem frutos positivos para quem pratica e, cumulativamente, para a sociedade.


foto de um vaso transparente com uma pequena folhagem, sobre fundo branco

Para quem tem uma abordagem mais focada em consumo e acumulação, a reação típica ao minimalismo e ao decrescimento é de uma rejeição automática motivada por desejos, memórias ou ideais acostumados, ao longo de toda uma vida, a associarem esse tema a alguns conceitos realmente indesejados1, como escassez, empobrecimento, restrições, contenção, desconforto e até mesmo recessão.

A questão central, como de costume, é de ponto de equilíbrio: como balancear as intenções, as disponibilidades e as demandas?

Como equilibrar intenções, disponibilidades e demandas?

Observando as pessoas que praticam com sucesso o minimalismo no âmbito pessoal e familiar, é frequente notar que os resultados incluem os ganhos da simplicidade e do espaço disponível, e que esse hábito frequentemente vem associado a experiências em que há abundância, prosperidade e riqueza.

Indo um pouco mais a fundo, é necessário sublinhar que os termos “prosperidade”, “riqueza” e “abundância” nem sempre se referiram a elevados níveis de consumo e acumulação. A sensação mais geral de desenvolvimento e satisfação ainda acontece (em parte, para muitos), em âmbitos subjetivos: moralidade, liberdade, tempo, organização, suficiência, resiliência e mais.

Pela via oposta, é fácil perceber quantos indivíduos conectados diretamente à ciranda do mercado estão constantemente insatisfeitos com o que têm e com o que consomem. Muitos também não conseguem alcançar os já mencionados aspectos imateriais da abundância, o que – no acumulado das experiências individuais – contribui para elevados níveis de problemas de saúde mental e de solidão, por exemplo.

A alternativa funciona

É aí que entram as ideias de abundância frugal, como o minimalismo e o decrescimento: elas dissociam o ritmo da vida das pessoas, em relação ao ciclo contínuo do mercado, que ano após ano quer nos vender de novo a moda, o smartphone e o carro mais recentes.

Alcançar objetivos dessa categoria, para quem se sente conectado aos estímulos do consumo, raramente é fácil. Mas considerar essa intenção como desejável, positiva, e até mesmo confortável, é um requisito inicial que remove boa parte dos obstáculos de natureza interma.

Ao associar objetivamente o decrescimento à abundância, o projeto pessoal de alcançá-lo se torna mais palatável, desejável e, em última análise, alcançável.

 
  1.  Mesmo quando inevitáveis ou fáticos…