Enquanto eu fazia a pesquisa pra retrospectiva 2005 do BR-Linux, encontrei a notícia sobre o driver multiplataforma pra winmodems feito em COBOL que eu publiquei no último 1 de abril, e fiz eu mesmo uma retrospectiva de pegadinhas de informática em que eu já me envolvi como autor ou co-autor. Tem as do Trilux e da Waternet, antes teve uma mais maluca ainda de um sistema (se não me engano o nome era winland) que permitiria ler as conversas alheias no IRC, e muitas outras. Quanta bobagem, mas tudo inofensivo.
Acabei lembrando de como isso começou. Foi no segundo grau, em uma aula de VM/SP (ambiente de virtualização da IBM), ministrada em terminais 3270 gigantes como aquele da foto, ligados a um mainframe pré-histórico ainda com discos no estilo “panelão” e com uma impressora de linha que, segundo o folclore, “custava mais que um Fiat Uno”. Os professores ficavam naquela de demonstrar o ambiente compartilhado: um aluno começava a editar um arquivo, outro continuava em outro terminal, um terceiro mandava imprimir, etc. Imaginem o tédio. A edição típica de 3270, com envio da tela inteira de cada vez, e aqueles editores de texto que pareciam tão arcaicos comparados com o que tínhamos nos XTs da sala ao lado, também eram atrações. Imaginam o tédio? Aí ficávamos naquela de aprender comandinhos do VM e outro ambiente (acho que era CSP), tudo seguindo uma apostila.
Aí teve uma hora que o tédio dominou, e eu comecei a digitar no editor de texto uma página extra da apostila, só com comandos fictícios. Só comandos bons: apagar arquivos dos outros, desligar terminais, ligar o teclado de um terminal diretamente à impressora, etc. – tudo 100% inventado, cascata pura, mas relativamente verossímil, no mesmo estilo e formato que a apostila de verdade. Editei, mandei imprimir a partir de outro terminal, apaguei o arquivo e fiquei quieto. Logicamente alguém encontrou a versão impressa e logo começou o zumzumzum das pessoas testando os comandinhos, porque ninguém resiste a esse tipo de coisa (é a mesma base da idéia do Trilux…)
Obviamente nada funcionava, mas os professores logo interceptaram e ficaram preocupadíssimos. Bloquearam terminais. Testaram. Auditaram. E não sei quanto tempo demorou pra concluírem que tinha sido um trote. Na aula seguinte, disseram que não tinham provas de onde tinha surgido aquele material. Mas um deles chegou pra mim e disse: “cuidado.” Foi divertido